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EXPRESSÃO CORPORAL NO CULTO: TRADIÇÃO OU CONFORMAÇÃO?

11 set

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”( Colossenses 3.16-17)

O problema que enfrentamos em qualquer leitura bíblica é o fato de olharmos para o texto com nossas próprias convicções, bagagem cultural e costumes ao em vez de deixar que ele próprio fale a nós. É o caso da questão da dança ou de outra expressão corporal, mas é necessário observarmos o que a Bíblia diz para a igreja e para cada um de nós sobre esse assunto. Continue lendo

NUNCA TENTE CONVENCER O TOLO COM ARGUMENTOS. É INÚTIL! – Por Jonas Madureira

10 set

Por Jonas MadureiraTolos. Se você conhece algum, vai entender perfeitamente a razão pela qual considero o caminho da persuasão lógica e racional um caminho contraproducente no diálogo com eles (se é que é possível tal diálogo!). A razão é bem simples: o tolo é, por natureza, completamente satisfeito consigo mesmo. Ou seja, ele está tão embriagado de si mesmo que a única coisa que ele consegue aceitar, no diálogo com o outro, é ele próprio e suas ideias. Nada mais lhe interessa senão confirmar ou reafirmar suas teses. Ele não consegue olhar para o outro, esforçando-se por compreendê-lo. E essa incapacidade decorre do fato de que ele foi sugestionado a acreditar em si mesmo e em suas ideias sem ter que, ao mesmo tempo, refletir criticamente sobre si mesmo e suas ideias. Em outras palavras, o tolo é aquele que foi ensinado por “autoridades inquestionáveis” a absorver inúmeros pressupostos, muitos deles plausíveis e verdadeiros, porém sem questioná-los, sem pensá-los. Continue lendo

Devo ficar ou devo sair? – Albert Mohler

23 ago

Quando um cristão evangélico deve se retirar de uma igreja? Esta é uma pergunta frequente em nossos dias, e denuncia mais do que um problema no cristianismo contemporâneo. Muitos membros de igrejas têm se tornado clientes. O conceito bíblico de eclesiologia tem cedido lugar a uma forma de consumismo em que os indivíduos, tais quais clientes comparando preços e qualidade, saem em busca da igreja que mais combina com seu gosto naquele momento. A questão pode ser concernente à adoração e à música, aos relacionamentos, ao ensino, ou a um número incontável de outras coisas. No entanto, o padrão é o mesmo – as pessoas se sentem à vontade ao trocar uma congregação por outra por praticamente qualquer razão, ou mesmo por nenhuma razão .

 Estes clientes violam a integridade da igreja e o significado da membresia eclesiástica. Quando os membros saem por razões insuficientes, a comunhão da igreja é quebrada, seu testemunho é enfraquecido, e a paz e a unidade da congregação são sacrificadas. Tragicamente, uma compreensão superficial de membresia eclesiástica enfraquece o nosso testemunho do evangelho de Cristo.
 Não há desculpas para esse fenômeno. Nós não temos o direito de sair de uma igreja por causa de nossas preferências musicais, nosso gosto pessoal, ou mesmo porque a programação não atende às expectativas. Estas controvérsias ou inquietações devem levar o cristão fiel a considerar como ele poderia ser útil para encontrar e criar uma maneira melhor de resolvê-las, ao invés de servirem para que ele as use como desculpa para sair.
 Os cristãos não podem olhar para esta questão como meramente uma questão de consumismo. Somos chamados a amar a igreja e orar por sua paz e unidade, e não para procurar uma oportunidade de mudar para outra congregação.
 Há momentos, no entanto, quando é correto que deixemos uma congregação ou denominação. Mas em tal caso, a questão não é gosto, e sim teologia.
 Nenhuma congregação ou denominação é perfeita, e conversas doutrinárias são frequentemente um sinal de saúde congregacional. A questão da separação de uma igreja deve surgir apenas quando um problema de urgente importância teológica está em jogo – quando ficar violaria a integridade e testemunho do evangelho.
 No final, a única razão suficiente para a saída de uma igreja é teológica. Um cristão fiel deve deixar uma congregação ou denominação quando aquele corpo obstinadamente rejeita esforços de correção doutrinária acerca de uma questão de significância verdadeira.
 Dito isto, a dificuldade vem nos termos desta afirmação. A história da igreja cristã inclui algumas emocionantes e incentivadoras quantias de congregações, denominações e instituições cristãs que, uma vez comprometidas com doutrinas aberrantes ou heresia completa, foram posteriormente convencidas de seu erro e corrigidas pela Bíblia.
 Infelizmente, há uma lista muito maior de igrejas e denominações que se recusaram e rejeitaram todas as tentativas de correção. Uma vez comprometidas com uma trajetória de erro doutrinário e heresia, muitas igrejas são completamente resistentes à correção pela Palavra de Deus.
 A primeira difícil questão que enfrentamos consiste em definir que tipo de problema doutrinário merece esta urgência. Isso requer uma estrutura de cuidadosa análise teológica enraizada a uma séria consideração de quais são os problemas de maior importância – falsos ensinos e crenças que, se obstinadamente mantidos, requerem separação.
 Os cristãos de hoje enfrentam a difícil tarefa de definir estrategicamente quais doutrinas cristãs e problemas teológicos devem receber máxima prioridade em termos do nosso contexto contemporâneo. Isso se aplica tanto à defesa pública do cristianismo em face do desafio secular quanto à responsabilidade interna de lidar com divergências doutrinárias. Considerar questões doutrinárias em termos de sua relativa importância não é uma tarefa fácil, mas é uma tarefa que demanda seriedade e maturidade teológica. A Verdade de Deus deve ser defendida em todos os pontos e em todos os detalhes, mas os cristãos responsáveis ​​devem determinar quais questões merecem atenção de primeira linha em um momento de crise teológica.
 Há muito que tenho defendido o que eu chamo de uma estrutura de triagem teológica. A primeira vez que encontrei este conceito foi em uma sala de emergência do hospital. Lá se observa o processo de triagem médica. Este processo permite que o pessoal treinado faça uma rápida avaliação da relativa urgência médica. Dado o caos de uma área de recepção da emergência, alguém deve ser provido de habilidade médica para que possa fazer uma determinação imediata de prioridade. Quais pacientes devem ser encaminhados rapidamente para a cirurgia? Quais pacientes podem esperar por um exame menos urgente? O pessoal médico não pode esquivar-se de fazer estas perguntas e de assumir a responsabilidade de dar aos pacientes com necessidades mais críticas o topo da prioridade em termos de tratamento.
 A palavra ‘triagem’ vem da palavra francesa ‘trier’, que significa “classificar”. A mesma norma que põe ordem à frenética sala de emergência também pode oferecer grande ajuda para os cristãos que defendem a verdade na época atual. Temos que aprender a classificar questões teológicas e doutrinárias como parte de nossa responsabilidade cristã.
 Com isto em mente, gostaria de sugerir três diferentes níveis de urgência teológica, cada um correspondendo a um conjunto de questões e prioridades teológicas encontradas nos atuais debates doutrinários.
 O primeiro nível de questões teológicas abrangeria as doutrinas mais centrais e essenciais para a fé cristã. Incluídas entre estas doutrinas mais importantes estariam doutrinas tais como a Trindade, a plena divindade e humanidade de Jesus Cristo, a justificação pela fé somente, e a autoridade da Escritura. Estas doutrinas de primeira ordem representam as verdades fundamentais da fé cristã, e uma negação dessas doutrinas representa nada menos do que uma consequente negação do próprio Cristianismo.
 Sem a afirmação da Trindade, não há verdadeiro cristianismo. Sem a afirmação da plena divindade e humanidade de Cristo, não há evangelho. Sem a afirmação de doutrinas essenciais ao evangelho de Cristo, não há mensagem de salvação no cristianismo.
 Estas doutrinas de primeira ordem incluiriam o nascimento virginal de Cristo, a Sua ressurreição física, e outras doutrinas claramente ensinadas na Bíblia e necessárias para o entendimento de quem é Cristo e do que Sua expiação realizou. Assim, a justificação pela fé somente é também corretamente classificada nesta categoria de primeira ordem, pois sem esta verdade a igreja cai.
 O conjunto de doutrinas de segunda ordem se distingue do conjunto de primeira ordem pelo fato de que os fiéis cristãos podem vir a discordar sobre as questões de segunda ordem, embora esta discordância crie fronteiras significativas entre os crentes. Quando os cristãos se organizam em congregações e em moldes denominacionais, esses limites se tornam evidentes.
 Questões de segunda ordem incluiriam o significado e o modo do batismo. Batistas e presbiterianos, por exemplo, fervorosamente discordam sobre o mais básico entendimento do batismo cristão. A prática do batismo infantil é inconcebível para a mente batista, enquanto presbiterianos conectam o batismo infantil com a sua mais básica compreensão da aliança. Permanecendo unidos a respeito das doutrinas de primeira ordem, batistas e presbiterianos ansiosamente reconhecem uns aos outros como cristãos fiéis, mas reconhecem que o desacordo sobre questões de segunda importância impede a comunhão dentro da mesma congregação ou denominação.
 Questões de primeira ordem determinam a identidade e a integridade cristãs. Questões de segunda ordem determinam a eclesiologia.
 Questões de terceira ordem são doutrinas sobre as quais os cristãos podem discordar e permanecer em comunhão íntima, mesmo dentro das congregações locais. Gostaria de colocar a maioria dos debates sobre a escatologia, por exemplo, nesta categoria. Os cristãos que afirmam o corporal, histórico e vitorioso retorno do Senhor Jesus Cristo podem divergir sobre o período e a sequencia deste evento sem que haja ruptura da comunhão da igreja. Os cristãos podem se encontrar em desacordo sobre um variado número de questões relacionadas com a interpretação de textos difíceis ou com a compreensão de pontos de comum discordância. Desta forma, permanecendo unidos a respeito de questões de mais urgente importância, os crentes são capazes de aceitar um ao outro sem transgressão quando as questões de terceira ordem estão em disputa.
 Os cristãos nunca devem deixar uma igreja devido a questões de terceira ordem, muito menos devido a questões que nem sequer alcançam esta importância. Os crentes em Cristo são obrigados a ver todas as questões da verdade bíblica como incluídas na nossa mordomia do evangelho, mas o Novo Testamento deixa claro que, enquanto a unidade quanto aos princípios básicos é vital, a diversidade quanto a outras questões não precisa ameaçar a unidade da igreja.
 Em nossos dias, problemas como a homossexualidade e as mulheres no pastorado representam questões que prejudicam nossas tentativas de triagem. A rejeição da autoridade da Bíblia quanto a uma questão como a homossexualidade é um problema teológico – e não meramente uma controvérsia moral. Nenhuma igreja pode permanecer dividida sobre esta questão, e nenhum crente fiel deve permanecer em uma igreja que se recusa a se submeter à Palavra de Deus. Uma igreja que ordena mulheres ao pastorado pode ser ortodoxa em muitas outras questões, mas sobre esta questão ela se coloca contra a Escritura.
 Em muitas igrejas e denominações, esta recusa obstinada em receber correção pela Escritura submete crentes fiéis a uma escolha difícil, mas permanecer em uma igreja que obstinadamente recusa correção não é uma opção. Os esforços por “renovação” em muitas destas igrejas têm sido constantemente rejeitados. Chega o momento em que recusar sair de uma igreja se torna cumplicidade na heresia.
 Estas são perguntas difíceis de fato, mas o crente sério deve usar extremo cuidado ao considerar quando ficar e quando sair. No final, o problema da decisão deve ser verdadeiro, e a decisão deve ser tomada com oração, quebrantamento, e determinação.
 Fonte: Ame Cristo
Tradução: Arielle Pedrosa

Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas – John MacArthur

17 ago



Esta não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se introduziu na igreja. Isso tem acontecido em todas as principais épocas da história da igreja. Batalhas pela verdade têm rugido na comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica que os falsos mestres na igreja logo se tornaram um problema significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho chegasse. Quase todas as principais epístolas do Novo Testamento abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos “falsos apóstolos, obreiros fraudulentos”, que se transformavam em apóstolos de Cristo (2 Coríntios 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar. Afinal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformam em ministros de justiça” (w. 14-15).
Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso pode acontecer em nossos tempos. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Timóteo 6.20-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência da re-alidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé.
Em sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa realmente uma vitrine maravilhosa de oportunidades para a igreja de Jesus Cristo. A arrogância que dominava a era moderna está em suas agonias de morte. O mundo, na sua maior parte, foi apanhado em desilusão e confusão. As pessoas se sentem inseguras a respeito de quase tudo e não sabem que rumo tomar em busca da verdade.
Entretanto, a pior estratégia para ministrar o evangelho num clima assim é os cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade, de modo definitivo, através de seu Filho (Hebreus 1.1-2). E temos, nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem (2 Pedro 1.19-21).
O pós-modernismo é simplesmente a expressão mais atual da incredulidade mundana. Seu valor essencial — uma ambivalência dúbia para com a verdade — não passa de ceticismo destilado em sua essência pura. No pós-modernismo, não existe nada virtuoso nem genuinamente humilde. Ele é uma rebelião arrogante contra a revelação divina.
De fato, a hesitação do pós-modernismo no tocante à verdade é a antítese exata da confiança ousada que, segundo as Escrituras, é o direito de família de todo crente (Efésios 3.12). Essa segurança é operada pelo próprio Espírito de Deus naqueles que crêem (1 Tes-salonicenses 1.5). Precisamos valorizar essa segurança e não temer confrontar o mundo com ela.
A mensagem do evangelho, em todos os fatos que a constituem, é uma proclamação clara, específica, confiante e autorizada de que Jesus é Senhor e de que Ele dá vida eterna e abundante a todos os que crêem. Nós, que conhecemos verdadeiramente a Cristo e recebemos aquela dádiva da vida eterna, também recebemos da parte dEle uma comissão clara e específica de transmitir com ousadia a mensagem do evangelho, como embaixadores dEle. Se não demonstrarmos igualmente clareza e nitidez em nossa proclamação da mensagem, não seremos bons embaixadores.
Mas não somos meros embaixadores. Somos, ao mesmo tempo, soldados comissionados a guerrear em favor da defesa e disseminação da verdade, face aos ataques constantes contra a verdade. Somos embaixadores com uma mensagem de boas-novas para as pessoas que andam em trevas e vivem na região da sombra da morte (Isaías 9.2). E somos soldados — com ordens para destruir fortalezas ideológicas e derrubar as mentiras e enganos engendrados pelas forças do mal (2 Coríntios 10.3-5; 2 Timóteo 2.2-4).
Observe atentamente: nossa tarefa como embaixadores é levar as boas-novas às pessoas. Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas. Devemos manter esses objetivos no seu devido lugar; não temos o direito de declarar guerra contra as próprias pessoas, nem de entrar em relacionamentos diplomáticos com idéias anti-cristãs. Nossa guerra não é contra a carne e o sangue (Efésios 6.12); nosso dever como embaixadores não nos permite transigir com qualquer tipo de filosofia humana, engano religioso ou outro tipo de mentira nem a nos alinhar com alguma delas (Colossenses 2.8).
Se parece difícil manter essas duas tarefas em equilíbrio e na pers-pectiva adequada, isso acontece porque elas são realmente difíceis.
Judas certamente entendeu isso. O Espírito Santo o inspirou a escrever a sua breve epístola a pessoas que estavam lutando com essas mesmas questões. Contudo, ele as exortou a batalharem diligentemente pela fé, contra toda falsidade, ao mesmo tempo que faziam tudo que lhes era possível para livrarem almas da destruição: arrebatando-as “do fogo… detestando até a roupa contaminada pela carne” (Judas 23).
Somos, portanto, embaixadores e soldados; procuramos alcançar os pecadores com a verdade, ao mesmo tempo que envidamos todos os esforços para destruir as mentiras e outras formas de mal que os mantêm na escravidão mortífera. Esse é um resumo perfeito do dever de todo cristão na guerra pela verdade.
Martinho Lutero, aquele nobre soldado do evangelho, lançou este desafio diante dos cristãos de todas as gerações que o sucederam, ao dizer:

Se, com a voz mais elevada e a exposição mais nítida, eu professar toda porção da verdade de Deus, mas não confessar exatamente o pormenor que o mundo e o Diabo estão atacando naquele momento, não estou confessando a Cristo, ainda que esteja professando-0 com ousadia. Onde a batalha ruge, ali é provada a lealdade do soldado. E ficar firme em todos os demais pontos do campo de batalha é mera fuga e vergonha, se o soldado falhar naquele pormenor.

Fonte: http://www.ocalvinismo.com/2012/07/nossa-missao-como-soldados-e-destruir.html?m=1

Livre-arbítrio: Afinal, temos ou não temos?

12 ago

Nota:CFW = Confissão de Fé de Westminster 
     
Neste estudo, iremos procurar entender a questão que envolve o termo “Livre-arbítrio”. 
Trata-se de um tema que trouxe grande discussão durante alguns períodos da História. O entendimento diferente acerca deste tema, ou seja a defesa da existência de um “livre-arbítrio” ou a sua negação, tem divido pessoas até hoje. 
Mas, afinal temos ou não temos livre-arbítrio? É isto mesmo que iremos verificar, não só analisando as posições teológicas acerca do assunto, mas, buscando luz da Bíblia para clarear nosso entendimento. Antes de mais nada precisamos definir o que seja esse tal “Livre-arbítrio”:


1. Livre-arbítrio 
“Livre-arbítrio”, tem sido definido, como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua criação, para escolher entre o bem e o mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o bem ou o mal”. 
Héber Carlos de Campos também a define como tendo sido a capacidade que o homem teve, “de escolher as coisas que combinavam com a sua natureza santa, mas que, mutavelmente, pudesse escolher aquilo que era contrário à sua natureza santa”. 
Vejam que tais definições, estão de acordo com o que prescreve a nossa Confissão de Fé: 
O homem em seu estado de inocência , tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder.

É importante dizermos que quanto a definição, não existe dificuldade. O problema todo que envolve o tema, é se o homem hoje, depois da queda , possui ou não esse tal de livre-arbítrio. 
Antes mesmo de entrar propriamente na discussão, se o homem ainda dispõe dessa capacidade, precisamos dizer algo acerca de uma faculdade natural e inalterada no homem, mesmo depois da queda, chamada de “livre agência” ou “capacidade de escolha”.

2. Livre Agência ou Capacidade de Escolha 
Existe no homem uma capacidade tal que lhe dá condições de fazer escolhas, de acordo com o que lhe é agradável. O homem sempre e em qualquer condição, faz as suas escolhas, de tal forma que ele é responsabilizado por elas. “Essa capacidade ou aptidão é um aspecto inalienável da natureza humana normal”. Ele é livre para escolher o que lhe agrada, de acordo com suas inclinações. 
Sobre este aspecto da existência humana a CFW diz o seguinte: 
Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza. Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7.

Comentando acerca desta seção da CFW, A. A. Hodge diz o seguinte: 
…que a alma humana, inclusive todos os seus instintos, idéias, juízos, emoções e tendências, tem o poder de decidir por si mesma; isto é, a alma decide em cada caso como geralmente lhe agrade.

O homem é livre para escolher, sendo que nada externamente pode forçar suas escolhas. Isto é essencial no homem, faz parte da sua criação a imagem e semelhança de Deus. “À parte dela, não pode haver qualquer responsabilidade, confiança ou planejamento. À parte dela, não pode haver educação, religião ou adoração. À parte dela, não pode haver qualquer arte, ciência ou cultura. A capacidade de escolher é uma condição sine qua non de toda a vida humana”. 
A definição de Campos sobre este assunto é também esclarecedora: 
Livre Agência, por outro lado, poderia ser definida como a capacidade que todos os seres racionais têm de agir espontaneamente, sem serem coagidos de fora, a caminharem para qualquer lado, fazendo o que querem e o que lhes agrada, sendo, contudo, levados a fazer aquilo que combina com a natureza deles.

Campos ainda falando sobre este aspecto, enfatizando a responsabilidade humana em suas escolhas diz: 
É importante que o ser racional que ele aja sempre movido pelo seu ego. A responsabilidade dele sempre estará diretamente ligada à voluntariedade do seu ato. Todos os atos dele devem ser auto-inclinados e auto-determinados.

Portanto, para que haja responsabilidade, não é necessário que haja o poder de escolha contrária, mas sim, que haja o poder de auto-determinação, que a ação seja nascida nas inclinações do ser racional.
Pelo que ficou demonstrado, em qualquer época o homem é livre para agir conforme sua condição, sua natureza, ou seja, ele sempre faz o que quer conforme a sua inclinação.
3. A queda do homem: O que aconteceu ao livre-arbítrio? 
Como dissemos acima, na criação o homem recebeu a capacidade de fazer escolhas e possuía também a liberdade de fazer escolhas certas, ou seja podia escolher agradar a Deus, de tal forma que pudesse cair desse estado em que foi criado. O homem foi criado totalmente santo, integro, contudo podia escolher algo que fosse contrário a essa sua natureza. E foi isso o que aconteceu, ou seja, escolheu pecar. “No princípio, portanto, o homem não era um ser neutro, nem bom nem mau, mas um ser bom que era capaz de, com a ajuda de Deus, viver uma vida totalmente agradável a Deus”. Como dizia Agostinho, o homem tinha a “capacidade de não pecar” (posse non peccare). 
Neste sentido, até antes de sua queda podemos dizer, o homem possuía o livre-arbítrio, contudo com a desobediência, ele perdeu tal capacidade, sendo que não mais consegue fazer escolhas certas, não consegue agradar a Deus. Suas escolhas serão sempre determinadas pelo estado em que caiu. Suas escolhas serão de acordo com a sua natureza. 
É neste ponto que surgem então discussões, pois, diferente da posição Reformada Calvinista, os Arminianos irão afirmar que o homem ainda possui o livre-arbítrio. Ele pode sem a intervenção de Deus, em seu estado natural, fazer escolhas espirituais acertadas. 
Para os arminianos a queda do homem, embora tenha trazido algum prejuízo não afetou totalmente o homem, sendo que, continua em seu estado natural a ter habilidades para escolher a salvação, para escolher agradar a Deus. Desta forma, a depravação não foi total. 
Vejam mais detalhadamente a posição dos arminianos quanto a depravação do homem: 
Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada pela queda, o homem não ficou reduzido a um estado de incapacidade total. Deus, graciosamente, capacita todo e qualquer pecador a arrepender-se e crer, mas o faz sem interferir na liberdade do homem. Todo pecador possui uma vontade livre (livre arbítrio), e seu destino eterno depende do modo como ele usa esse livre arbítrio. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher entre o bem e o mal, em assuntos espirituais. Sua vontade não está escravizada pela sua natureza pecaminosa.. O pecador tem o poder de cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido precisa da assistência do Espírito, mas não precisa ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer, pois a fé é um ato deliberado do homem e precede o novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus, é a contribuição do homem para a salvação.

O ensino arminiano segue o raciocínio de Pelágio, com diferença apenas no fato de que este, dizia que a queda não afetou em nada a humanidade, de tal forma que “o homem continua nascendo na mesma condição em que Adão estava antes da queda. Esta isento não só de culpa, como também de polução.” Por isso, os arminianos são considerados semi-pelagianos, pois pensam que o homem depois da queda tenha capacidade para fazer escolhas certas. 
Os reformados calvinistas, em contra partida, afirmam que a queda incapacitou totalmente o homem, afetando todas as suas faculdades. O homem após a queda perdeu tal liberdade, sendo agora escravo do pecado, morto espiritualmente. 
Vejam mais detalhadamente o pensamento calvinista sobre a depravação total 
Devido à queda, o homem é incapaz de, por si mesmo, crer de modo salvador no Evangelho. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas de Deus. Seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, pois está escravizada à sua natureza má; por isso ele não irá – e não poderá jamais – escolher o bem e não o mal em assuntos espirituais. Por conseguinte, é preciso mais do que simples assistência do Espírito para se trazer um pecador a Cristo. É preciso a regeneração, pela qual o Espírito vivifica o pecador e lhe dá uma nova natureza. A fé não é algo que o homem dá (contribui) para a salvação, mas é ela própria parte do dom divino da salvação. É o dom de Deus para o pecador e não o dom do pecador para Deus.

Os calvinistas neste sentido, seguem os ensinos de Agostinho, que por sua vez combateu os ensinamentos de Pelágio. Agostinho ensinou que quando os seres humanos “pecaram, embora não perdessem a sua capacidade de fazer escolhas, perderam a sua capacidade de servir a Deus sem o pecado – em outras palavras, a sua verdadeira liberdade. O homem tornou-se, então, um escarvo do pecado; ele passou ao estado de ‘não ser capaz de não pecar’ (non posse non peccare).” 
A CFW afirma o seguinte acerca disso: 
O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Ref. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.

Calvino também disse o seguinte acerca desta situação do homem: 
As Escrituras atestam que o homem é escravo do pecado; o que significa que seu espírito é tão estranho à justiça de Deus que não concebe, deseja, nem empreende coisa alguma que não seja má, perversa, iníqua e impura; pois o coração, completamente cheio do veneno do pecado, não pode produzir senão os frutos do pecado.

O homem, após a queda não possui mais o livre-arbítrio, não pode mais escolher algo que é contrário a sua natureza pecaminosa. Ele está morto, cego, é escravo do pecado. 
Esta doutrina defendida pelos calvinistas, pelos reformados, que por sua vez é negada pelos arminianos, não se trata apenas de uma posição teológica diferente, e sim de afirmação bíblica. Nega-la é o mesmo que renunciar a Palavra de Deus neste assunto. 
São inúmeros os textos que afirmam tal verdade, falando que o homem está incapacitado totalmente de atender ao convite de salvação, de atender as exigências divinas. Isto acontece por seu próprio pecado, por sua própria inclinação e desejo. À parte da graça de Deus o homem, por sua própria iniciativa não pode salvar-se, ou escolher isto. 
Vejamos textos que servem de base para a doutrina calvinista:

1. O homem está morto, incapaz de qualquer bem, precisando da intervenção divina: Jr 13.23; Ef. 2.1-10; Rm 3.9-18, 23; Cl 2.13; Tt 3.3-5. 
2. O homem não consegue ir até Jesus, senão com a ajuda somente de Deus: Jo 6.44, 65; Rm 9.16. 
3. O homem precisa nascer de novo, contudo, isto só aconteça através da atuação do Espírito Santo, que age soberanamente: Jo 3.1-15. 
4. O homem não pode compreender as coisas espirituais, senão pelo Espírito: I Co 2.14-16. 
5. A Bíblia declara que o homem está cego, é escarvo do pecado. Não pode fazer outra coisa senão pecar, a não ser que Deus mude seu estado: Ef. 4.18; Jo 8.31-36; Jo 9.35-41; Rm 6.15-23; 2 Tm 2.26. 
6. O homem não pode apresentar um fruto diferente daquilo que ele é: Mt 7.16-18; Tg 1.16-18.

Percebam que, afirmar que o homem tem o livre-arbítrio, é o mesmo que ignorar tais textos da Bíblia. 
É importante enfatizar que, o homem mesmo neste estado, continua ser um agente livre, ou seja, ele exerce “a livre agência”. Isto quer dizer que continua a fazer as suas escolhas, contudo, não escolhe nada que seja contrário a sua natureza pecaminosa (Jo 5.40; Tg 1.14; Mt 17.12; At 7.51; Ef 2.3). O homem nunca é forçado a fazer algo que não deseja. Faz sempre aquilo que lhe traz prazer. 
Sobre isto, diz Calvino: 
Não pensemos, entretanto, que o homem peca como que impelido por uma necessidade incontrolável; pois peca com o consentimento de sua própria vontade continuamente e segundo sua inclinação. Mas, visto que, por causa da corrupção de seu coração, odeia profundamente a justiça de Deus; e, por outro lado, atrai para si toda sorte de maldade, por isso afirmamos que não tem o livre poder de eleger o bem ou o mal – que é o que chamamos livre-arbítrio.

Campos diz também o mesmo: 
Originalmente, antes da queda, o homem teve tanto o livre arbítrio como a livre agência. Depois da queda o homem ficou somente com a livre agência, pois perdeu tanto o desejo quanto a capacidade de fazer o bem, isto é, o poder de agir contrariamente à sua natureza.

Assim, é o homem quem escolhe continuar no pecado, contudo, não tem capacidade, por causa do seu próprio pecado e maldade, para escolher coisa diferente a não ser que suas inclinações e vontade sejam transformadas por Deus, recebendo habilidade para escolher o que é bom e reto. Por isso o homem é sempre responsabilizado por seus atos, pois, sempre escolhe o que lhe agrada.
4. Na Redenção do Homem: O que acontece ao livre-arbítrio? 
Quando Deus em sua livre graça, resolvendo salvar o homem, age em seu coração, pela ação do Espirito lhe implanta vida, o que acontece é que o homem recebe habilidade para escolher o que é reto e bom. A Bíblia descreve este ato, como o da libertação de um escravo, dando-lhe liberdade para escolher o que é agradável a Deus, contudo, muito embora liberto, pode ainda inclinar-se para o pecado. O homem passa a desejar o que é bom. Isto não significa que não deseje o pecado, pois, ainda permanece nele a imperfeição. 
Sobre isto diz a CFW: 
Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Ref. Col.1: 13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22; Gal.5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10.

Estaria o homem regenerado na mesma condição de Adão antes da queda, ou seja, teria ele agora novamente o livre-arbítrio? Não, pois, não voltamos a ser como era Adão. Ele era perfeitamente reto, santo, e podia escolher algo que fosse contrário ao que era a sua natureza. O homem regenerado, recebe liberdade para escolher o que é bom, contudo, não tem o livre arbítrio, pois não escolhe algo contrário ao que ele é. Ou seja, quando escolhe o que é bom, faz isso de acordo com a sua nova natureza criada em Cristo e quando escolhe pecar, faz isso, conforme a sua natureza carnal. Esta é a luta que reside dentro do homem restaurado. Ele não pode dar lugar ao velho homem (Ef 4.17-24; Cl 3.1-11). 
É importante ressaltar que, sendo regenerado o homem recebe habilidade, que antes não tinha, para escolher a Deus. Conforme Agostinho, o homem recebe a capacidade de não pecar (posse non peccare). Por isso, e somente assim, pode atender ao convite do Evangelho para a sua salvação. O homem na regeneração, continua a exercer a sua “livre agência”. 
Vejam como a CFW, fala da condição que o homem para fazer escolhas espirituais, como um ser ativo: 
Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. Ref. João 15:16; At. 13:48; Rom. 8:28-30 e 11:7; Ef. 1:5,10; I Tess. 5:9; 11 Tess. 2:13-14; IICor.3:3,6; Tiago 1:18; I Cor. 2:12; Rom. 5:2; II Tim. 1:9-10; At. 26:18; I Cor. 2:10, 12: Ef. 1:17-18; II Cor. 4:6; Ezeq. 36:26, e 11:19; Deut. 30:6; João 3:5; Gal. 6:15; Tito 3:5; I Ped. 1:23; João 6:44-45; Sal. 90;3; João 9:3; João6:37; Mat. 11:28; Apoc. 22:17.

Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provem de qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada. 
Ref. II Tim. 1:9; Tito 3:4-5; Rom. 9:11; I Cor. 2:14; Rom. 8:7-9; Ef. 2:5; João 6:37; Ezeq. 36:27; João5:25.

É o homem que diz sim a Deus, que diz sim ao chamado do Evangelho, depois de Ter sido habilitado, libertado do pecado. O abrir do olhos, a nova criação, o nascer de novo, é obra da livre graça de Deus e se não for assim, ninguém poderá crer em Cristo. Se não recebermos a fé que vem do Senhor, nunca poderemos crer. Maravilhosa graça!
5. Na glorificação do Homem: Terá o livre-arbítrio? 
Quando formos glorificados, por ocasião da vinda de Cristo e completação de nossa salvação, teremos de volta o livre-arbítrio? Não, na glorificação, não voltaremos a ser como Adão, estaremos à frente dele, pois, ele quando criado não gozava de uma perfeição permanente, ou seja, podia cair de tal estado. Ele podia escolher algo contrário a sua natureza, contudo, se tivesse sido obediente poderia Ter alcançado a perfeição permanente. Os crente glorificados alcançarão o que Adão não pode alcançar. Teremos perfeita liberdade para servir a Deus. Continuaremos a ser agentes livres, pois, escolheremos o que estará de acordo com a nossa natureza perfeita. Nunca escolheremos pecar, pois, não haverá tal possibilidade, então, nunca mais teremos o livre-arbítrio. 
Desta forma, como disse Agostinho, alcançaremos o estado “não posso pecar” (non posse peccare). 
Diz a CFW: 
É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só. Ref. Ef. 4:13; Judas, 24; I João 3:2.

Comentando a CFW, Hodge diz: 
Quanto ao estado dos homens glorificados no céu, nossa Confissão ensina que continuam, como antes, agentes livres; contudo, os restos de suas velhas tendências morais corruptas, sendo extirpadas para sempre, e as graciosas disposições implantadas na regeneração, sendo aperfeiçoadas, e o homem todo, sendo conduzido à medida da estatura do varão perfeito, à semelhança da humanidade glorifica de Cristo, permanecem para sempre perfeitamente livres e imutavelmente dispostos à perfeita santidade. Adão era santo e instável. Os homens não regenerados são impuros e estáveis; isto é, são permanentes na impureza. Os homens regenerados possuem duas tendências morais opostas, digladiando-se pelo domínio em seus corações. São lançadas entre elas, contudo a tendência graciosamente implantada gradualmente por fim prevalece perfeitamente. Os homens glorificados são santos e estáveis. São todos livres e, portanto, responsáveis.

Portanto na glorificação, seremos para sempre livres, sem também o livre-arbítrio para sempre.
Conclusão:
Os reformados, os calvinistas crêem no livre-arbítrio, como tendo sido uma habilidade concedida a Adão e perdida na queda. Desde então o homem ficou desprovido de qualquer habilidade para fazer escolhas santas, agradáveis a Deus. Não lhe resta outro desejo senão o de pecar, conforme as inclinações de seu próprio coração, sendo assim, um agente livre e responsável. 
Cremos que, nunca mais tal habilidade fará parte da existência humana. O fato de Deus nos libertar do pecado nos habilitando a fazer escolhas acertadas, não é o mesmo que dizer que temos o livre-arbítrio. As escolhas sempre estarão de acordo com a nossa natureza, ou naturezas. 
Nem antes, nem depois, voltaremos a ser como era Adão. Na glorificação estaremos à frente dele, num estado em que o pecado não será possível. 
Dizermos que existe um tal de livre-arbítrio, seria o mesmo que dizer que Deus não é soberano sobre a salvação do pecador, que Ele está sujeito ao querer do homem. 
Se não fosse Deus, sua graça o que seria de nós, nunca escolheríamos a Ele. 
Que o estudo acerca desse tema, possa-nos motivar a glorificar a Deus por causa da sua graça que, agindo em nós mudou nos inclinações e vontade, fazendo-nos querer, desejar, o que não queríamos nem desejávamos.

Sola Gratia! 
Soli Deo Gloria

Autor: Rev. Waldemar Alves da Silva Filho
Fonte: Portal IPB – http://www.ipb.org.br

Qual é a tua motivação para a santidade?

31 jul

Temos que ser sinceros e admitir que muitas vezes os motivos que temos para lidar com o pecado em nossas vidas são inadequados, insuficientes…

O que está faltando?

Paulo em Colossenses 3 diz: “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” – ( Colossenses 3:2 ) – Se pensamos que tudo que está envolvido aqui é atividade mental, estamos enganados. A palavra usada por Paulo aqui envolve tanto o intelecto como as afeições do coração. Ou seja, o que Paulo está dizendo é que deve haver uma reorientação total da vontade pelo poder da graça de Deus em nós.


Como Thomas Chalmers (1780-1847) disse: “A única maneira de desapropriar do coração um afeto antigo, é o poder expulsivo de um novo afeto”. Então Paulo diz – “Pensai nas coisas de cima” – Que coisas? Por que fixar a mente aí. Ele diz: “Por que vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” –  Essa é a razão! Porque é ali que Cristo está, e agora estamos eternamente unidos a Ele.
Devemos fixar nossas afeições nas coisas do alto porque é aí que Cristo é, e estamos unidos a ele.

Paulo está dizendo que todos os nossos afetos devem ser definidos agora pelo próprio Cristo. Esse é o poder para a vida de santidade. Encher nossas mentes e corações com as glórias de quem Cristo é, o que Ele realizou por nós e tudo que ele comprou para nós, os eleitos. Só quando esse tipo de mentalidade nos domina, experimentamos o que Thomas Chalmers chamou de  “o poder expulsivo de um novo afeto.”

Olhe para Moisés. Sinceramente, ele tinha tudo. Era neto do homem mais poderoso do mundo. Desfrutava de riquezas que nós temos que nos esforçar para imagina. Tinha acesso ilimitado aos haréns do Egito – Podia desfrutar de uma vida sexual sem limites. Tudo era grande e ilimitado para ele em sua juventude…
Mas a Bíblia diz que ele preferiu “ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”Hebreus 11:25-26
Onde estava a sua força? Como ele fez essa escolha difícil? A Bíblia diz: “Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.”Hebreus 11:26-27
A maior satisfação em Deus suplantou qualquer coisa que deixaria para trás no Egito. Esse poder libertou Moisés dos prazeres inferiores que ele deixou para trás.
Este é o único caminho verdadeiro para a Santidade. O poder expulsivo de um novo afeto.
 

Como o Senhor da Vida dá Vida – John Piper

27 jul

Uma Meditação sobre Atos 16:14

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Em todo lugar em que Paulo pregava, alguns criam e outros não. Como
devemos entender porque alguns daqueles que estão “mortos em delitos
e pecados” (Efésios 2:1, 5) crêem e outros não?

A resposta ao porque alguns não crêem é que eles a rejeitaram (Atos
16:46), pois a mensagem do evangelho lhes parecia loucura, e não puderam
entendê-la (1 Coríntios 2:14). A mentalidade da carne é “inimizade contra
Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”
(Romanos 8:7). Aqueles que ouvem e rejeitam o evangelho “odeiam a luz”, e
não vêem para a luz, para que suas obras não sejam expostas (João 3:20). Eles
permanecem “entenebrecidos no entendimento… pela ignorância que há
neles, pela dureza do seu coração” (Efésios 4:18). Essa é uma ignorância
culposa. A verdade está disponível. Mas pela “injustiça dos homens, que
detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18).
Mas então, por que alguns crêem, visto que todos estão nessa condição
de dureza de coração rebelde, mortos no pecado? O livro de Atos dá a
resposta de pelo menos três formas diferentes. Uma é que eles foram
destinados a crer. Quando Paulo pregou em Antioquia da Pisídia, os gentios
se regozijaram e “creram todos quantos estavam ordenados para a vida
eterna” (Atos 13:48).
Outra forma de responder ao porque alguns crêem é que Deus concede
arrependimento. Quando os santos em Jerusalém ouviram que os gentios
estavam respondendo ao evangelho, e não apenas os judeus, eles disseram:
“Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida” (Atos
11:18).
Mas a resposta mais clara em Atos à pergunta do porque uma pessoa
crê no evangelho é que Deus abre o coração. Lídia é o melhor exemplo. Por
que ela creu? Atos 16:4 diz: “O Senhor lhe abriu o coração para que estivesse
atenta ao que Paulo dizia”. Note quatro aspectos dessa conversão.

1) “… ao que Paulo dizia”. Primeiro, alguém deve proclamar o evangelho.
Deus não abre os olhos do coração a fim de ver nada. Ele abre-os para ver a
glória de Cristo na verdade do evangelho (2 Coríntios 4:4-6). Portanto,
devemos anunciar o evangelho. Não fazemos o novo nascimento acontecer
quando cumprimos isso. Mas nos ajustamos ao modo de Deus fazê-lo. O
ponto do novo nascimento é conceder visão espiritual. O ponto de anunciar o
evangelho é dar algo para se ver. O novo nascimento é para a glória de Cristo.
Portanto, Deus faz isso acontecer quando Cristo é pregado.

2) “O Senhor…”. Segundo, aquele que anuncia o evangelho descansa no
Senhor. A oração não é mencionada aqui. Mas isso é o que fazemos quando
percebemos que é o Senhor quem é o ator decisivo, não nós. Temos um papel
significante no anúncio do evangelho, mas é o próprio Senhor quem faz a
obra decisiva.

3) “…lhe abriu o coração…”. Visto que o problema chave em não crer no
evangelho é a dureza ou o fechamento do coração, aqui é onde o Senhor faz sua
obra decisiva. Ele “abriu o coração” de Lídia. Isso significa que ele tira o
coração de pedra, e coloca um coração de carne (Ezequiel 36:6); lemos sobre
o que ele diz com autoridade soberana: “Porque Deus, que disse que das
trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para
iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2
Coríntios 4:6). Assim, as trevas se dissipam e a luz da verdade revela a beleza
irresistível de Cristo no evangelho.

4) “…para que estivesse atenta ao que Paulo dizia”. O efeito da abertura
do coração dela pelo Senhor é um verdadeiro ouvir espiritual do evangelho.
“Estivesse atenta” é uma tradução fraca do grego prosechein. Seu significado é
mais forte do que esse. Nesse versículo, o termo significa um ouvir com algo
anexo. A obra do Senhor não ajustou simplesmente o seu foco. Trouxe fé. A
ela foi concedido arrependimento (2 Timóteo 2:25) e fé (Filipenses 1:29).
Ou, nos termos de João 6, ela foi dada pelo Pai ao Filho (v. 37), e foi
trazida pelo Pai ao Filho (v. 44), e o Pai concedeu que ela viesse ao Filho (v.
65). Ela foi vivificada (Efésios 2:5) e nascida de novo (João 3:3, 7).
Você orará comigo nesses dias maravilhosos, para que Deus faça isso
por centenas de pessoas em nossos cultos? Ouvi de três conversões na última
semana. Estão caindo gotas de misericórdia ao nosso redor, mas imploramos
pelas chuvas.
Orando ao Senhor da vida,
Pastor John

Fonte:monergismo.net.br