Arquivo | maio, 2012

Línguas e Profecias – Manoel Canuto

30 maio
Este tema tem o propósito de trazer ao leitor uma análise crítica do uso do teatro e do entretenimento para se comunicar o Evangelho, para se evangelizar, como se este método tivesse respaldo bíblico. Muitos defendem esta metodologia como eficiente nos dias de hoje ou como alternativa para fugir da forma “arcaica” de se proclamar ou pregar a Palavra de Deus, e ainda, que devemos ser criativos no anúncio do evangelho.
O Dr. Frame de Westminster, argumenta contrariamente aos princípios escriturísticos, de forma pragmática e exegeticamete equivocada, que o teatro como meio de se comunicar o evangelho tem respaldo em algumas passagens da Bíblia em que alguns profetas fizeram coisas dramáticas. Ele chega até defender a dança litúrgica tomando textos da Bíblia que falam das extraordinárias celebrações de vitórias nacionais de Israel contra povos pagãos. Muitos têm concordado com isso, ou por “desconhecimento” ou por maldade. Outros de forma pragmática citam grandes e renomados pregadores do passado que foram dramáticos em suas pregações. Infelizmente, muitos reformados têm aprovado esta forma de se comunicar evangelizar e usam o argumento de que já deu certo porque pessoas já se converteram assim. Outros usam o argumento falaz de que podem usar o teatro quando não se trata de um momento de culto público, porque se assim fosse estaria errado, mas seria correto em outro momento. Mas esquecem que o Princípio Regulador não se aplica só ao culto público; pensar assim é distorcer a posição puritana e Presbiteriana e Reformada (CFW). Esse pensamento surgiu só no final do século dezenove. Os puritanos e PRESBITERIANOS aplicaram o Princípio Regulador a todo culto, público ou particular, familiar. Tanto é que não permitiam que este Princípio fosse violado mesmo em casa. Mas isso não quer dizer que para os puritanos e presbiterianos, o pai que conduzia o culto familiar em sua casa (e não a mulher) podia conduzir o culto e as ordenanças no culto público ou exercer disciplina eclesiástica, pois são prerrogativas dos pastores/presbíteros. As regras para a administração dos elementos do culto são peculiares. O cantar louvores é corporativo, mas o pregar é prerrogativa do ministro. O cantar louvores é feito corporativamente, todos ao mesmo tempo, mas o orar no culto público ou mesmo no culto familiar é feito um de cada vez. O Princípio é mais abrangente do que pensamos e a Confissão de Fé não faz declarações estanques como se a Bíblia tratasse da vida como um todo em um departamento, e, em outro, tratasse de questões de fé. Ao contrário, qualquer coisa que seja contrária ou fora da Palavra de Deus, em matéria de fé ou do culto, não deve ter autorização de ser praticada. Usar teatro para fazer discípulos é contrariar o IDE de Jesus (Mt 28:20) que decretou fazer discípulos através do ensino das Escrituras. Que argumento é este? Bíblico ou pragmático? O Dr. Peter Master nos leva a pensar, refletir de forma racional e bíblica sobre o assunto.
Este número também apresenta a primeira parte de um artigo muito importante sobre a Natureza das Línguas e Profecias no Novo Testamento. Trata-se de uma palestra que foi apresentada no Seminário Presbiteriano do Norte, na Semana Teológica organizada pela diretório acadêmico e com a aprovação daquela instituição Presbiteriana. Na ocasião outras posições com respeito ao tema fora abordadas academicamente. Mas o artigo nada mais é do que uma observância da Pastoral (documento redigido pela Comissão Permanente de Doutrina da IPB e já extinta) sobre a questão que recomenda o estudo mais apurado do assunto; trata-se de uma recomendação da própria Pastoral a qual foi aprovada pela Assembléia Geral da IPB em 2001. O artigo mostra algumas incoerências do documento em relação à doutrina Presbiteriana e bíblica – Reformada – bem definida nos Símbolos de Fé da própria Igreja Presbiteriana do Brasil: CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER e os CATECISMOS, MAIOR E BREVE, além do seu Manual de Culto o qual tem suas bases nestes Símbolos de Fé.
Estamos sempre abordando assuntos como estes por serem relevantes e práticos. Nós que somos crentes confessionais amamos a verdade e refutamos o erro – pelo menos lutamos por isso ainda de forma acanhada e muitas vezes eclesiáticamente equivocada e imatura. Temos uma responsabilidade que é bem colocada pelo grande matemático Janseniano, Blaise Pascal quando disse: “Tanto é crime perturbar a paz quando a verdade prevalece como preservar a paz quando a verdade é violada. Há, portanto, um tempo em que a paz se justifica e outro quando ela não se justifica. Porque está escrito que há tempo para a paz e tempo para a guerra e é a lei da verdade que distingue os dois. Mas em nenhum momento há um tempo para a verdade e um momento para o erro, pois está escrito que a verdade de Deus permanece para sempre. É por isso que Cristo disse que veio trazer a paz e ao mesmo tempo a espada. Mas Ele não disse que veio trazer tanto a verdade como a falsidade”.
Recentemente soube de alguém que afirmou que nós hoje somos mais sábios que os doutores do passado pelo número de informações que dispomos e por isso podemos mudar muitas coisas que se defendia no passado. Não duvido que em certas questões do momento temos nos aprofundado mais, pressionados pelas novidades da contemporaneidade; isso sempre aconteceu, mas isso sempre veio reforçar o que a Bíblia ensina e não distorcê-la como pretendem os “sábios” de hoje. Fico com a afirmação de certo pensador cristão: “…a geração de intelectuais evangélicos vai comprometendo a ortodoxidade bíblica face à hostilidade acadêmica. Uma simples pesquisa revela sinais ainda mais significativos. Alguns evangélicos estão aceitando a subjetividade radical, o perspectivismo, o disistoricismo e o relativismo da erudição pós-modernista. Em nome de uma mudança de paradigma, alguns evangélicos desistem da própria reivindicação à verdade objetiva”.
Muitos estão hoje com temor de serem chamados de radicais, mesmo que saibam das verdade imutáveis. A eles se aplica o que disse R. Albert Mohler Jr.: “A fim de ganhar distância do “fundamentalismo”, muitos evangélicos abandonaram o fundamento”.  Deus nos livre desta fraqueza que compromete o Reino de Cristo.
Manoel Canuto

Editor da Revista Os Puritanos

http://ospuritanos.blogspot.com.br

Anúncios

Por Quem Cristo Morreu – John Owen

21 maio

CRISTO NÃO MORREU POR TODOS!

Sacrificar e orar são tarefas requeridas de um sacerdote. Se ele falhar em qualquer uma delas, terá falhado na qualidade de sacerdote de seu povo. Jesus Cristo é mencionado tanto como nossa propiciação (sacrifício) quanto como nosso advogado (representante) (I João 2: 1-2). Ele é mencionado tanto como oferecendo Seu sangue (Hebreus 9: 11-14), quanto como intercedendo por nós (Hebreus 7:25). Posto que é um sacerdote fiel, Ele precisa realizar estas duas tarefas com perfeição. Visto que Suas orações são sempre ouvidas, Ele não pode estar intercedendo por todos os homens, porquanto nem todos os homens são salvos. Isto deixa claro que Ele também não pode ter morri do por todos os homens.

Devemos também nos lembrar da maneira como Cristo agora intercede por nós. As Escrituras dizem que é pela apresentação de Seu sangue no céu (Hebreus 9: 11-12, 24). Em outras palavras, Ele intercede apresentando Seus sofrimentos ao Pai. Os dois atos, sofrimento e intercessão, devem, portanto, estar relacionados à mesma pessoa, caso contrário, não adiantaria usar um como base para o outro.

O próprio Cristo associa Sua morte e Sua intercessão como o único meio para nossa redenção, em Sua oração no capítulo 17 de João. Nesta oração, Ele se refere à entrega de Si mesmo na morte, e Sua oração é por aqueles que o Pai havia dado a Ele. Não podemos separar estes dois atos, se o próprio Cristo os une. Um sem outro não teria valor, como Paulo argumenta: “E, se Cristo não ressuscitou (e portanto não está intercedendo agora), é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” (I Coríntios 15: 17).

Portanto, se separarmos a morte de Cristo de Sua intercessão, não há segurança de salvação para nós. De que valeria dizer que Cristo morreu por mim, no passado, se Ele agora não intercede por mim? É somente se Ele nos justifica agora que somos salvos da condenação de nossos pecados. Eu ainda poderia estar condenado se Cristo não intercedesse por mim. É claro que Sua intercessão deve ser em favor das mesmas pessoas pelas quais Ele morreu – e, sendo assim, Ele não pode ter morrido por todos!

John Owen – Death of Death in the Death of Christ, (publicado com o título – Por Quem Cristo Morreu?)


O Culto comandado pelo Senhor – Thomas Boston

21 maio

Os que corajosamente e resolutamente afirmam serem as abençoadas Escrituras uma regra suficiente para comandá-los, guiá-los, e encaminhá-los em todos os assuntos relacionados ao culto, têm uma boa causa [Lucas 10.25-26] e, os que sofrem por esta causa, sofrem como Cristãos, pois sofrem por fazer o que é bom.


Agora, são uns tais inúteis e vãos, os que depreciam a eficiência da Escritura, e misturam as invenções suas ou de outros homens com as instituições Divinas; e colocam seus próprios batentes por batentes de Deus, e seus próprios limiares por limiares de Deus [Ezequiel 43:8].

Os preceitos e tradições de homens, com suas invenções e adições ao culto a Deus, são chamados de batentes e limiares, porque os seus autores confiam e descansam tanto sobre os tais, e porque os colocam no caminho para impedir a outros o gozo dos privilégios do templo, exceto se apoderarem-se e cumprirem junto com eles a sua maneira e modoinventados de adoração; mas sobre todos estes batentes e limiares inseridos pelos homens na adoração a Deus, você pode ler, neles escrito: estultície, fraqueza, podridão e loucura.

Somente os batentes de Deus, os limiares de Deus, as instituições de Deus, os apontamentos de Deus, possuem sabedoria e santidade, beleza e glória, escritos sobre si.

Pois ao instituírem os seus batentes como se fossem os batentes de Deus, e ao honrarem os seus batentes com igual honra e autoridade que os batentes de Deus, eles contaminam a adoração a Deus, e profanam o nome de Deus, profanação de Seu Nome que Ele certamente vingará; porque Ele não admitirá rival a disputar a adoração que Lhe é própria e exclusiva.



A falsa "unidade" e o dever da separação – C.H. Spurgeon

17 maio
Em tempos antigos, quando algumas das Igrejas de Cristo começaram a livrar-se do jugo do Papado que pesava sobre seus pescoços, o argumento usado contra a reforma era a necessidade de manter a unidade. “Você precisa ser paciente com esta ou aquela cerimônia e com este ou aquele dogma; não importa quão anticristão e profano. Você precisa ser paciente quanto a isso, ‘esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz'”.
Assim falou a velha serpente naqueles dias antigos: “A Igreja é una; ai daqueles que semeiam o cisma! Pode até ser verdade que Maria tenha sido posta no lugar de Cristo, que as imagens são adoradas, que vestimentas e trapos podres são reverenciados, e que o perdão é comprado e vendido para crimes de todo tipo; pode ser que a assim chamada igreja tenha se tornado uma abominação e uma moléstia sobre a face da terra; mas ainda assim, ‘ esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz ‘, você deve curvar-se, reprimir o testemunho do Espírito de Deus dentro de você, esconder a Sua verdade sob um alqueire, e deixar a mentira prevalecer.”
Este foi o grande sofisma da Igreja de Roma. Porém, quando ela não pôde mais seduzir os homens falando de amor e união, ela passou a usar o seu tom mais natural de voz, e amaldiçoou diretamente, a torto e a direito, de todo coração: e manteve a maldição até que ela mesma expire!
Irmãos, não havia nenhuma força no argumento dos Papistas. Efésios 4:3 insta para que nos esforcemos em manter a unidade do Espírito, mas não nos diz para manter a unidade do mal, a unidade da superstição, ou a unidade da tirania espiritual. A unidade do erro, da falsa doutrina, da tirania dos bispos, pode incluir o espírito de Satanás; não temos nenhuma dúvida disso; mas que esta seja a unidade do Espírito de Deus nós negamos veementemente. A unidade do mal nós devemos demolir com todas as armas que nossas mãos puderem agarrar. A unidade do Espírito, a qual devemos manter e nutrir, é outra coisa completamente diferente.
Lembrem-se que somos proibidos de fazer o mal para que venha o bem. Mas conter o testemunho do Espírito de Deus dentro de nós, esconder qualquer verdade que tenhamos aprendido pela revelação de Deus, refrear-nos de testemunhar pela verdade de Deus e da Sua Palavra contra o pecado e a tolice das invenções dos homens, todos estes seriam pecados dos mais imundos. Não ousamos cometer o pecado de extinguir o Espírito Santo, ainda que seja com a intenção de promover a unidade.
Certamente a unidade do Espírito nunca requer algum apoio pecaminoso; ela não é mantida suprimindo a verdade, e sim apregoando-a por toda parte. A unidade do Espírito tem como sustentação, dentre outras coisas, o testemunho de santos espiritualmente iluminados com relação à fé que Deus revelou em Sua Palavra. Aquela unidade, é uma unidade totalmente diferente que amordaçaria nossas bocas e nos transformaria em gado imbecilmente dirigido, para ser alimentado e depois abatido ao bel prazer de mestres sacerdotais.
O Dr. McNeil disse, acertadamente, que dificilmente um homem pode ser um Cristão sério em nossos dias sem ser um controversista. Somos enviados hoje como ovelhas para o meio de lobos. Pode haver acordo? Somos acesos como luminares no meio da escuridão. Poder haver conciliação? Não foi o próprio Cristo que disse, “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”? Vocês compreendem como esse é o mais verdadeiro método de esforçar-se para manter a unidade do Espírito; porque Cristo o homem de guerra, é Jesus o Pacificador; mas para a criação de paz duradoura, espiritual, as falanges do mal devem ser destruídas, e a unidade das trevas arrojada em tremor.
Peço sempre a Deus que nos preserve de uma unidade na qual a verdade seja considerada sem valor, na qual princípios dêem lugar à políticas, na qual as virtudes nobres e varonis que adornam o herói Cristão tenham que ser completadas por uma afetação efeminada de amor. Que o Senhor possa nos livrar da indiferença para com a Sua Palavra e vontade; porque isso cria a unidade fria de massas de gelo unidas em um iceberg, esfriando o ar por milhas ao redor, a unidade dos mortos enquanto dormem nas sepulturas, lutando por nada, porque não têm parte nem herança em tudo aquilo que pertence aos viventes. Há uma unidade que raramente é quebrada: a unidade dos demônios que, sob o serviço do seu grande mestre e senhor, nunca discordam nem disputam. Protege-nos desta terrível unidade, ó Deus dos céus! A unidade dos gafanhotos que têm um objetivo comum, com a sua glutonaria que arruína tudo ao seu redor; a unidade das ondas de fogo de Tofete, que arrasta miríades para a miséria mais profunda. Disso também, ó Rei dos céus, livra-nos para sempre!
Que Deus perpetuamente nos envie algum profeta que clame em alta voz para o mundo: “Sua aliança com a morte será anulada, e seu acordo com inferno não permanecerá”. Que sempre tenhamos alguns homens, mesmo que sejam ásperos como Amós, ou austeros como Ageu, que denunciem sempre de novo qualquer associação com o erro e qualquer acordo com o pecado, e declarem que estas coisas são abomináveis para Deus.
Nunca imaginem que a contenda santa seja uma violação de Efésios 4:3. A destruição de todo tipo de unidade que não está baseada na verdade é uma preliminar necessária à edificação da unidade do Espírito. Precisamos primeiro derrubar estas paredes feitas de argamassa ruim – estes muros cambaleantes construídos pelo homem – para que possa haver espaço para as excelentes rochas dos muros de Jerusalém colocadas umas sobre as outras para uma permanente e duradoura prosperidade.
C.H. Spurgeon

Aos que de antemão conheceu – John Stott

16 maio

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou, também justificou; aos que justificou também glorificou (Romanos 8:28-30).

[…] Primeiro há uma referência a aqueles que Deus de antemão conheceu. Essa alusão a “conhecer de antemão”, isto é, saber de alguma coisa antes que ela aconteça, tem levado muitos comentaristas, tanto antigos como contemporâneos, a concluir que Deus prevê quem irá crer e que essa presciência seria a base para a predestinação. Mas isso não pode estar certo, pelo menos por duas razões. A primeira é que neste sentido Deus conhece todo mundo e todas as coisas de antemão, ao passo que Paulo está se referindo a um grupo específico. Segundo, se Deus predestina as pessoas porque elas haverão de crer, então a salvação depende de seus próprios méritos e não da misericórdia divina; Paulo, no entanto, coloca toda a sua ênfase na livre iniciativa da graça de Deus. Assim, outros comentaristas nos fazem lembrar que no hebraico o verbo “conhecer” expressa muito mais do que mera cognição intelectual; ele denota um relacionamento pessoal de cuidado e afeição. Portanto, se Deus “conhece” as pessoas, ele sabe o que passa com elas [138]; e quando se diz que ele “conhecia” os filhos de Israel no deserto, isto significa que ele cuidava e se preocupava com eles.[139] Na verdade Israel foi o único povo dentre todas as famílias da terra a quem Javé “conheceu”, ou seja, amou, escolheu e estabeleceu com ele uma aliança. [140] O significado de “presciência” no Novo Testamento é similar. “Deus não rejeitou o seu povo [Israel], o qual de antemão conheceu”, isto é, a quem ele amou e escolheu (11:2). [141] À luz deste uso bíblico John Murray escreve: “’Conhecer’… É usado em um sentido praticamente sinônimo de ‘amar’… Portanto, ‘aqueles que ele conheceu de antemão’… é virtualmente equivalente a ‘aqueles que ele amou de antemão”.[142] Presciência é “amor peculiar e soberano”. [143] Isto se encaixa com a grande declaração de Moisés: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu, porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo… mas porque o Senhor vos amava…”. [144] A única fonte de eleição e predestinação divina é o amor divino.


[138] Sl. 1.6; 144.3.
[139] Os 13.5.
[140] Am 3.2.
[141] Cf. 1 Pe 1.2.
[142] Murray, vol. I, p. 317.
[143] Ibid., p. 318.
[144] Dt 7.7s.; cf. Ef 1.4s.

John Stott em A Mensagem de Romanos.

O Galardão da Graça – Prof. Herman Hanko

14 maio

E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um
segundo a sua obra (Ap. 22:12).
Pergunta: “Uma pessoa salva, digamos, há apenas um ano pode ter
avançado na vida cristã bem mais do que alguém salvo há sessenta anos. O
galardão no céu depende do estágio alcançado e do total de serviço acumulado
ao longo dos anos?

Eu dei a este artigo o título “O Galardão da Graça” porque a pergunta
tem a ver com a explicação que os teólogos Reformados e Presbiterianos têm
consistentemente dado ao galardão que os crentes recebem por suas obras.
Ele é chamado de o galardão da graça porque, embora, de fato, um crente seja
recompensado por suas obras, essa recompensa é pela graça somente.
A situação descrita na pergunta – um homem convertido há apenas um
ano estando bem mais avançado na vida cristã do que outro convertido há
sessenta – é uma exceção, e não uma regra. Podem existir pessoas assim, mas
a forma comum na qual Deus opera Sua salvação no coração do Seu povo é
mediante progresso e crescimento na santificação. Contudo, seja qual for o
caso, a resposta à pergunta não é afetada.
Que seja estabelecido que as nossas obras são de fato recompensadas.
A Escritura ensina isso em mais de um lugar (e.g., Mt. 5:12; 6:4, 6, 18; 10:41;
16:27; Lucas 6:23, 35; 1Co. 3:8; 2Co. 5:10; Hb. 11:6). Um incentivo a praticar
boas obras enquanto estamos aqui na Terra é o galardão que receberemos na
glória.
É também o ensino da Palavra de Deus que o galardão será em
proporção às obras. Esse é claramente o significado das palavras do Senhor
em Apocalipse 22:12, de que todos serão recompensados “segundo a sua
obra”. O Senhor dispensará as recompensas de uma forma totalmente justa.
(Isso implica também o castigo dos ímpios no inferno de acordo com suas
   

   
   
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
http://www.monergismo.com
obras.) Podemos deduzir disso que não há desapontamento no céu, e que
cada um de nós ficará satisfeito com a recompensa que receber.
Além disso, as boas obras recompensadas no céu não são
necessariamente as obras extraordinárias que alguns realizam. Em sua obra de
reforma, Lutero virou a Europa de cabeça para baixo. Essa foi de fato uma
grande obra. Mas existem obras agradáveis a Deus que passam despercebidas
pelos homens, obras de grande valor e dignidade. O coração partido de um
pecador penitente, chorando em seu quarto, é de maior dignidade que muitos
feitos poderosos. O cuidado fiel de uma mãe piedosa pela sua família é de
valor bem maior que um sermão poderoso de um ministro enamorado com
suas próprias habilidades. Deus pesa as obras em escalas diferentes das que
usamos.
Mas o que eu disse até agora não é de forma alguma a história toda.
Penso que o resto da história pode ser melhor contada citando-se a Confissão
Belga 24: “Então, fazemos boas obras, mas não para merecermos algo. Pois,
que mérito poderíamos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras
que fazemos e não Ele a nós. Pois, ‘Deus é quem efetua em’ nós ‘tanto o
querer como o realizar, segundo sua boa vontade’ (Filipenses 2:13). Então,
levemos a sério o que está escrito: ‘Assim também vós, depois de haverdes
feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos
apenas o que devíamos fazer’ (Lucas 17:10). Contudo, não queremos negar
que Deus recompensa as boas obras; mas, por sua graça, Ele coroa seus
próprios dons”. Através da graça de Deus, Ele coroa Seus dons! Esse é o
galardão da graça! Várias idéias são ensinadas aqui.
(1) As boas obras que realizamos e que Deus recompensa são
graciosamente nos dadas como um dom. Deus opera em nós tanto o querer
como o realizar a Sua boa vontade (Fp. 2:13). Somos devedores a Deus por
nossas boas obras, não Ele a nós.
(2) Nunca, sob quaisquer circunstâncias, merecemos algo de Deus.
Nem mesmo Adão, antes de cair, poderia ter merecido algo da parte de Deus.
Toda a idéia de mérito humano é contrária às Escrituras.
(3) O galardão que recebemos também nos é dado pela graça. Esse é o
motivo de ser chamado “o galardão da graça”. É, nas palavras da nossa
confissão, “por Sua graça que Ele coroa Seus próprios dons”.
(4) Cada um recebe um galardão inteiramente justo, ajustado e
apropriado para ele ou ela.
Para explicar isso adicionalmente, o professor de catecismo da minha
juventude dizia que Deus cria vários copos de vidro de muitos tamanhos
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
http://www.monergismo.com
diferentes. Eles são criação Sua; o tamanho não é arbitrariamente
determinado. Na glória, Ele enche cada copo de vidro até o topo. Cada copo
fica cheio e não pode receber mais, mas cada um deles é de um tamanho
diferente.
A metáfora é como segue. Em Sua obra de salvação, Deus muda e
forma cada um do Seu povo, de acordo com a Sua vontade. Ele faz isso pela
obra de salvação, pela qual cada um de nós realiza boas obras, obras que
revelam a glória de Deus na salvação. No céu, todo santo será recompensado
por causa das suas obras por Deus, de forma que a obra iniciada nesta vida
será finalizada no céu, onde a glória de Deus brilha em cada santo para o
louvor do nome de Deus.
No plano perfeito de Deus, a obra da salvação nesta vida é
perfeitamente realizada para preparar cada santo para o seu lugar na glória.
Cada pedra – a fim de usar outra metáfora – é moldada e formada por Deus
através de todas as experiências de vida, a fim de se encaixar perfeitamente no
templo de Deus construído em toda a sua glória no céu (Ef. 2:20-23). Assim,
cada um em seu lugar, de acordo com o galardão da graça, exibe em sua
própria forma e em conexão com todos os eleitos a glória do Deus que salva a
igreja inteira e edifica o Seu próprio templo. Tudo é sempre para a glória de
Deus e louvor de Sua graça!
Fonte (original): Covenant Reformed News, Fevereiro de 2007,
Volume XI, Edição 10.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Monergismo.com

Não Há Lugar Para Qualquer Idéia de Mérito ou Recompensa Pelas Boas Obras

13 maio

Aqueles que pregam o “livre-arbítrio” afirmam que se não há “livre-arbítrio” então também não há lugar para o mérito ou para a recompensa.

O que dirão os defensores do “livre-arbítrio” a respeito da palavra “gratuitamente”, em Romanos 3.24? Paulo diz que os crentes são “justificados gratuitamente por sua graça”. Como interpretam “por sua graça?” Se a salvação é gratuita e oferecida pela graça divina, então não se pode conquistá-la ou merecê-la. No entanto, Erasmo argumenta que a pessoa deve ser capaz de fazer alguma coisa a fim de merecer a sua salvação, ou ela não merecerá ser salva. Erasmo pensa que a razão pela qual Deus justifica uma pessoa e não outra, é que uma delas usou de seu “livre-arbítrio”, e tentou tornar-se justa, enquanto que a outra não o fez. Ora, isso transforma Deus em alguém que diferencia pessoas, ao passo que a Bíblia ensina que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Erasmo e algumas outras pessoas, como ele, admitem que os homens conseguem fazer muito pouco através de seu “livre-arbítrio” para obterem a salvação. Afirmam que o “livre-arbítrio” tem apenas um pouco de merecimento — não é digno de muita recompensa. E, não obstante, ainda pensam que o “livre-arbítrio” torna possível às pessoas tentarem encontrar a Deus. Imaginam, igualmente, que se as pessoas não tentam encontrá-Lo, cabe exclusivamente a elas a culpa, se não recebem a graça divina.

Portanto, sem importar se esse “livre-arbítrio” tem grande ou pequeno mérito, o resultado é o mesmo. A graça de Deus seria obtida por meio do “livre-arbítrio”. Todavia, Paulo nega toda a noção de mérito quando afirma que somos justificados “gratuitamente”. Aqueles que dizem que o “livre-arbítrio” possui apenas um pequeno mérito erram tanto como aqueles que dizem que ele possui muito mérito, pois ambos ensinam que o “livre-arbítrio” tem mérito suficiente para obter o favor de Deus. Portanto, em quase coisa alguma diferem um do outro.

Na verdade esses defensores da idéia do “livre-arbítrio” nos dão um perfeito exemplo do que significa “saltar da frigideira para dentro do fogo”. Quando eles dizem que o “livre-arbítrio” tem apenas um pequeno mérito, eles pioram a sua posição, ao invés de melhorá-la. Pelo menos aqueles que dizem que o “livre-arbítrio” envolve um grande mérito (os chamados “pelagianos”) conferem um elevado preço à graça divina, porquanto concebem que um grande mérito é necessário para alguém obter a salvação. Todavia, Erasmo barateia a graça divina, podendo ser obtida por meio de um débil esforço. No entanto, Paulo transforma em nada essas duas idéias usando apenas uma palavra — “gratuitamente” (Rm 3.24). Mais adiante, em Romanos 11.6, ele assevera que a nossa aceitação diante de Deus depende apenas da graça de Deus: “E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”. O ensino Paulino é perfeitamente claro. Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do “livre-arbítrio”, estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.
.
Nascido Escravo, Martinho Lutero. Editora Fiel.